quinta-feira, 7 de julho de 2011

Trajeto
















Desde sempre teve a mania de divagar em pensamentos improváveis e introspectivos quando viajava.
Em especial quando viajava de ônibus.
Algo na individualidade dos desconhecidos a sua volta era instigante a isso.
A paisagem na janela corria tão rápido quanto os pensamentos em sua cabeça.

Mas porque sempre voltava ao mesmo lugar?
Porque não sentia mais a mesma coisa e sentia exatamente a mesma coisa que sentia,
mas não mostrava?
Quantos anos se passaram desde aquelas vezes.
Será que alguém desconfiava do que estava acontecendo?
Alguém fazia idéia do que ia acontecer?

Não era mais tão fácil dormir com aquele ruído na cabeça.
Aquele ruído silencioso.
De um silêncio perigoso...
Que mata estrangulado. Aos poucos.
E o meu estômago dói.

Acho que passamos da estação.

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