quinta-feira, 7 de julho de 2011

Trajeto
















Desde sempre teve a mania de divagar em pensamentos improváveis e introspectivos quando viajava.
Em especial quando viajava de ônibus.
Algo na individualidade dos desconhecidos a sua volta era instigante a isso.
A paisagem na janela corria tão rápido quanto os pensamentos em sua cabeça.

Mas porque sempre voltava ao mesmo lugar?
Porque não sentia mais a mesma coisa e sentia exatamente a mesma coisa que sentia,
mas não mostrava?
Quantos anos se passaram desde aquelas vezes.
Será que alguém desconfiava do que estava acontecendo?
Alguém fazia idéia do que ia acontecer?

Não era mais tão fácil dormir com aquele ruído na cabeça.
Aquele ruído silencioso.
De um silêncio perigoso...
Que mata estrangulado. Aos poucos.
E o meu estômago dói.

Acho que passamos da estação.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Alone, together.















Será que foi tudo errado?
Ou melhor, aonde foi que tudo começou a dar errado?
Será que fui mal educada? Me desculpa se eu te tratei mal.
Não foi minha intenção.
Eu nunca quis que você me visse assim.
Mas você nunca me viu da maneira certa, não é mesmo?
A culpa foi minha.

Acho que quem se perdeu fui eu.
Eu já sabia que esse não era meu estilo.
Porque o calendário na minha parede não é mais o mesmo...
E eu não conheço mais essa pessoa.
Foi quando eu deixei de ser fiel a mim mesmo?
Ou melhor, nesse momento, a quem devo ser fiel? A mim ou a você?
Porque não me explicaram sobre como seria esse fim.

Aonde foi parar a perspectiva?
Deve ter ficado em alguma das esquinas em que meus pensamentos morreram.

E os versos que eu guardava pra amanhã se perderam...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Diaba

















Joga com toda a força que a raiva te dá. Grita.
Quebra tudo e chora. De costas, pro mundo não ver.
Não a abrace. Seus sorrisos matam.
Não encoste nela desse jeito. Inferno.
Não riam como se não importasse. Grita. Grita mais alto.

Por favor, não a olhe com esse olhar de pena. Não sinta pena.
Apenas a deixe em paz. Ou melhor, a deixe assim.
É assim que deve ser.

(É assim que se assiste, não é?!)
Essa noite sonhei com essas pessoas denovo.
E aonde foi parar a lucidez?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A vida em branco.

















Essas linhas aleatórias não formam mais nada como costumavam. Eu não sinto mais nada do que costumava sentir.
E esse vazio passa da folha em branco pra dentro de mim.
Engraçado, antigamente era o contrário.. Oque havia em mim é que era jogado pra fora.
Gritado em cores ou em preto e branco. Mas isso não existe mais.

O cair e nascer do dia me enganaram no meio do caminho.
Esses olhos pintados agora são tão vazios quanto os meus.
Vazios como a distância. Como o nada. Como a falta de sentimento.
E porque minha cabeça dói tanto hoje?

Me perdi na inconsciência do saber inútil. Perdi o significado que tinha, sem saber.
Quando vou encontrar minhas verdadeiras cores denovo?

O poeta morreu dentro de mim.
E agora sou apenas uma folha amarelada em branco. Mais uma vez.


domingo, 10 de abril de 2011

As cortinas se fecharam.




















É isso. É, a gente sabia que essa hora ia chegar.
Mas é difícil quando a hora chega e nos olhamos sem saber o que vai acontecer...
Isso sempre esteve tão distante de nós, não é mesmo? Mas hoje estamos aqui meu amigo.
Hoje estamos aqui.
E quem ainda se lembra das brigas? Das caras feias? Quem se lembra de toda aquela ironia? Não. Ninguém.
Nesse momento me sinto mais distante do que nunca. E acho que você também se sente assim.
Porque tudo isso foi muito bom, mas a realidade nos traz de volta com mãos pesadas.


Surpreendentemente eu não me sinto tão mal. Apenas um pouco perdida, mas não tão mal.
Será que ainda vou me sentir assim quando me lembrar disso daqui a alguns anos?
Essa manhã está tão fria quanto o tempo que passamos em silêncio.
É isso. Sim, a gente sabia que essa hora ia chegar.
Me abrace uma última vez. E desaparece, em meio ao barulho e as risadas altas. Em meio as ilusões de uma noite e aos aplausos.
Eu continuarei assim. Até saber pra onde ir.
Mas, eu não me sinto tão mal.
Isso tudo só aconteceu aqui, não é mesmo?

Apenas sorria quando se lembrar desse tempo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não diga que me ama.


'Eu te amo' virou 'Bom dia'. É. Hoje em dia é tipo 'Oi, tudo bem?? Eu te amo, vio?!'
Banal. Vão. A hipocrisia se uniu á ignorância. Sem sentido... Sem sentimento.

Mas quem somos nós pra falar do amor alheio não é? Só palavras.
Tão indiferentes quanto essas ditas a torto e a direito.
Quem vai me levar a sério quando eu for falar a sério? Eu não quero brincar agora.

E no meio dessa chuva de 'amor', não dá pra saber a quantidade de 'Eu te amo' que ficaram na garganta. Abafados. Sem nunca chegar a quem deveriam.
Quem sabe quantos 'Eu te amo' foram calados?
E mesmo sem saber oque era, será que alguém pôde sentir? Pra você. Pra mim.

Pro vento não levar suas palavras.. Me ame em silêncio.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Ela

Seus atos são iguais aos meus. Quando olho dentro desses olhos eu sinto como sou desprezível.
Será que foi o que estava ao redor que mudou? Acho que nunca a conheci de verdade.
Ilusão é a palavra. E me diziam que se desiludir com os outros era de se esperar..
Como eu esperaria por isso né?
Um dia eu vou entender tudo isso e rir ou essa é só mais uma história que os outros contam pra mostrar 'como a vida é bela'?
Meu estômago ainda dói, sabia? Mas não é a gastrite.. Não dessa vez.
Vai, pode tirar a maquiagem agora. Me deixa ver seu rosto.
Me pergunto quem é essa pessoa...